O SILÊNCIO DOS INOCENTES

 

Em votação secreta nesta quarta-feira, dia doze, o plenário do Senado absolveu o presidente da Casa, Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas. Ele sofria um processo de cassação do mandato por quebra de decoro. Quarenta senadores optaram pela absolvição e trinta e cinco foram contra. Houve seis abstenções. Na prática, as abstenções selaram o desfecho do caso, já que eram necessários quarenta e um dos oitenta e um votos para aprovar a cassação. Apesar do apoio que recebeu ontem, o senador alagoano deverá ouvir apelos para que se licencie da presidência do Senado, em que enfrenta outras três acusações. Em nota, Renan deu sinais de que vai tentar permanecer no cargo.

 

A sessão que votou o processo de cassação de Renan Calheiros foi bastante tumultuada, como era de se esperar. Deputados brigaram com seguranças do Senado que tentaram impedi-los de entrar na sessão fechada, como havia autorizado o Supremo Tribunal Federal. No plenário, Renan ameaçou adversários e intimidou os indecisos, se é que haviam indecisos. No final de seis horas de reunião, o corporativismo prevaleceu. Renan e seus aliados comemoraram a vitória tentando enfiar goela abaixo da sociedade a tese de que o resultado da votação foi uma vitória da democracia e da instituição Senado Federal. Quando na verdade foi uma vitória da impunidade, afinal ao longo do processo de cassação Renan não conseguiu provar sua inocência, contradizendo-se em muitos argumentos de sua defesa e produzindo provas fraudulentas, conforme atestado pela perícia da Polícia Federal. Mesmo assim, foi inocentado pela maioria de seus pares.

 

Renan foi absolvido não apenas pelo corporativismo, mas sobretudo, pelo regimento interno do Senado. Sistema criado pelos próprios parlamentares para os beneficiarem. Afinal qual o objetivo de se tratar questões como esta às escuras, sob o sigilo do voto secreto. Para não verem o mesmo erro sendo cometido no futuro, um grupo de senadores quer acabar com as sessões e votos secretos. Já era em tempo. Afinal os eleitores têm o direito de saber como agem seus representantes, eleitos para defenderem interesses coletivos e não individuais. Até porque, o voto secreto, além de inocentar culpados, serve também para realizar milagres como apurou uma enquête do jornal Folha de São Paulo, logo após a votação secreta no plenário. Ao ouvir setenta e cinco senadores – cinco não foram localizados -, a reportagem obteve de quarenta e três deles que a opção tinha sido pela cassação do mandato. No plenário, no entanto, essa decisão teve o apoio de apenas trinta e cinco parlamentares, oito a menos do que o ouvido pela Folha.

 

Ou seja, a mentira não é algo peculiar apenas ao senador Renan Calheiros. Por falar nisso, como será que votaram os nossos senadores rondonienses? Com a palavra, Expedito Júnior, Fátima Cleide e Valdir Raupp, mas... sem mentiras...

TROCA-TROCA NO LEGISLATIVO

 

O vereador Zé Rover (PP) deixará a vereança para assumir uma vaga na assembléia legislativa. Ele assume o lugar deixado pelo deputado estadual Chico Paraíba (PMDB) que foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado. Paraíba assumirá a vaga vitalícia de conselheiro.

 

Zé Rover estava a pouco mais de três meses no cargo de vereador. Ele era o 1º suplente da coligação PMDB/PTB/PP e assumiu a vaga no lugar de Cabo João (PMDB) que licenciou-se do cargo para assumir uma secretária municipal no executivo vilhenense.

 

Com a vaga deixada por Zé Rover, o ex-vereador Ademar Bueno (PP) será chamado para ocupar o cargo. Com 563 votos obtidos na eleição de 2004, ele é o quarto suplente da coligação e o próximo da lista. No mês passado, a terceira suplente dessa coligação, Elza da Saúde (PTB) assumiu a vaga deixada por Sandra Melo (PMDB), que foi para a secretaria municipal de Educação. Elza assumiu após o ex-vereador Anísio Ruas (PTB), atual diretor do Procon em Vilhena, abdicar da vaga deixada por Sandra Melo. Anísio era o segundo suplente.




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